ACIRCAN participa de audiência sobre aprendizagem profissional e reforça apoio às empresas
Encontro reuniu empresas, entidades e órgãos públicos para discutir a formação de jovens, o combate ao trabalho infantil e a escassez de mão de obra em Campos Novos.
A Associação Empresarial, Rural e Cultural Camponovense (ACIRCAN) participou, na quinta-feira (02), da Audiência Pública, com o tema: Combate ao Trabalho Infantil e Estímulo à Aprendizagem Profissional, promovida pelo Tribunal Regional do Trabalho de Santa Catarina (TRT/SC), no auditório da Unoesc Campos Novos.
Representaram a entidade a presidente, Nilza Teresinha Scolaro Santos, e a diretora executiva, Eliane Lopes, acompanhando as discussões ao lado de empresários, representantes do poder público, instituições de ensino, entidades qualificadoras e órgãos de fiscalização.
O encontro teve como objetivo fortalecer o diálogo entre empresas, instituições e poder público sobre a aprendizagem profissional, destacando seus benefícios para a formação de jovens, o desenvolvimento das empresas e o crescimento econômico. Também foram debatidos os desafios relacionados ao combate ao trabalho infantil, à evasão escolar e à crescente escassez de mão de obra qualificada.
Durante a abertura, foram apresentados dados da Auditoria Fiscal do Trabalho que apontam que Campos Novos possui um déficit de 124 contratações para o cumprimento da cota mínima de aprendizes prevista na legislação. O levantamento demonstra que ainda existem oportunidades para ampliar o acesso dos jovens ao mercado de trabalho e, ao mesmo tempo, preparar profissionais para atender à demanda das empresas.
A juíza titular da Vara do Trabalho de Joaçaba e gestora do Programa de Combate ao Trabalho Infantil e Estímulo à Aprendizagem do TRT/SC, Lisiane Vieira, destacou que a aprendizagem profissional deve ser vista como um investimento estratégico. Segundo ela, formar jovens dentro das organizações significa preparar a mão de obra que será necessária nos próximos anos, fortalecer a competitividade das empresas e promover o desenvolvimento social. A magistrada também ressaltou que manter os adolescentes na escola amplia suas perspectivas de renda e qualidade de vida, reforçando a aprendizagem como uma importante política pública.
A auditora fiscal do Trabalho, Luciana Xavier, esclareceu aspectos da legislação e reforçou que existem alternativas para que todas as empresas cumpram a cota de aprendizagem, inclusive aquelas que desenvolvem atividades com riscos ou condições especiais. Ela destacou que Santa Catarina já enfrenta dificuldades para encontrar profissionais qualificados e que a formação de aprendizes é uma das principais estratégias para desenvolver talentos, preparar futuras lideranças e garantir a continuidade do crescimento das empresas.
A programação reuniu instituições formadoras e empresas parceiras dos programas de aprendizagem, que apresentaram experiências e resultados obtidos com a contratação de jovens aprendizes. Entre os destaques esteve o projeto Gestão Jovem Rural, desenvolvido pela Copercampos em parceria com a Epagri, considerado uma iniciativa pioneira no país por permitir que filhos de produtores rurais participem do programa sem deixar as propriedades da família. Também foram apresentados cases do CIEE, SENAC e SENAI. As empresas BRF, Supervisa, Carboni Fiat, Lojas Magrão, Lenagro Máquinas e Copercampos demonstraram, por meio de seus relatos, que muitos jovens iniciam suas carreiras como aprendizes, são efetivados e, posteriormente, assumem funções técnicas e de liderança. O Tribunal Regional do Trabalho também apresentou a experiência do seu Programa de Aprendizagem Profissional. Atualmente, o TRT-12 mantém 73 vagas de aprendizagem distribuídas em Santa Catarina.
No encerramento da audiência, a juíza Lisiane Vieira reforçou que a implantação de programas de aprendizagem no setor público é plenamente possível, legal e gera impactos positivos para a formação dos jovens e para a sociedade. A magistrada colocou o Tribunal à disposição para compartilhar sua experiência e apoiar municípios interessados em desenvolver programas próprios de aprendizagem.
Durante o espaço destinado às manifestações, a ACIRCAN, se colocou a à disposição para atuar como elo entre as empresas, órgãos públicos e as instituições responsáveis pela aprendizagem profissional. A diretora executiva Eliane Lopes, destacou que a associação representa mais de 400 empresas da região e defendeu o fortalecimento da parceria com as instituições parceiras e demais entidades formadoras, aproximando os empresários das oportunidades oferecidas pelos programas de aprendizagem. Segundo ela, a ACIRCAN pode contribuir para desmistificar esse processo, oferecendo orientação e incentivando a formação de jovens como solução para a crescente escassez de mão de obra qualificada enfrentada pelas empresas.

A presidente da ACIRCAN, Nilza Teresinha Scolaro Santos, ressaltou que muitos empreendedores ainda hesitam em aderir ao programa por burocracia ou desconhecimento da legislação. Ela completou que grande parte, ainda enxergam o jovem aprendiz apenas como mão de obra, quando, na realidade, a lei exige que a empresa assuma um papel formador. Como contadora, Nilza explicou que essa falta de clareza sobre as responsabilidades e os procedimentos necessários afasta potenciais empregadores do projeto. A presidente defendeu o desenvolvimento de ações de orientação e conscientização voltadas ao setor empresarial para que os empregadores compreendam que investir na formação dos jovens representa um investimento no próprio futuro das empresas, contribuindo para a qualificação da mão de obra e para o desenvolvimento econômico da região.
Para a ACIRCAN, a audiência reforçou a importância da atuação conjunta entre empresas, entidades formadoras, instituições de ensino e poder público na construção de soluções para ampliar as oportunidades destinadas aos jovens. A entidade reafirmou seu compromisso de participar desse diálogo, aproximando empresários e instituições parceiras e incentivando iniciativas que fortaleçam a qualificação profissional, a competitividade das empresas e o desenvolvimento da região.


