Dia do Empreendedor mostra a força dos pequenos negócios
ACIRCAN destaca os desafios de quem empreende diante das transformações no mercado e das novas exigências para os negócios
Santa Catarina registrou 79.442 novos pequenos negócios no segundo trimestre de 2026, entre Microempreendedores Individuais (MEIs), Microempresas (MEs) e Empresas de Pequeno Porte (EPPs). O número representa crescimento de 14,7% em relação ao mesmo período de 2025. Os MEIs responderam por 76,6% das novas empresas abertas no período, segundo levantamento do Observatório de Negócios do Sebrae/SC. O movimento catarinense acompanha a relevância dos pequenos negócios na economia brasileira. Em 2026, micro e pequenas empresas representam 95% das empresas ativas no país e respondem por 26,5% do Produto Interno Bruto (PIB). Em 2025, foram responsáveis por cerca de 80% do saldo de empregos formais gerados no Brasil, conforme dados do Sebrae.
A data, celebrada em 5 de outubro, coloca em evidência um segmento com participação direta na geração de emprego, renda e atividade econômica. Para Felipe Sbrussi, diretor do Comércio e Indústria da Associação Empresarial, Rural e Cultural Camponovense (ACIRCAN), os números ajudam a dimensionar essa importância. “São números bastante representativos, que ajudam a dimensionar a riqueza que é gerada pelos pequenos negócios no Brasil”, destaca.
Ao mesmo tempo em que cresce o número de empresas, também mudam as formas de vender, atender e se relacionar com os consumidores. A transformação digital ampliou as possibilidades para negócios de menor porte alcançarem novos mercados, mas também ampliou a concorrência e trouxe novas exigências para a gestão. De acordo com a 12ª edição da Pesquisa Pulso dos Pequenos Negócios, realizada pelo Sebrae em fevereiro e março de 2026, 73% dos empreendedores entrevistados afirmaram utilizar ferramentas on-line para vender. O WhatsApp aparece como principal canal de comunicação e vendas, citado por 82% dos MEIs e donos de micro e pequenas empresas.
Para Sbrussi, o ponto central está em integrar os diferentes canais sem perder eficiência na operação. “O verdadeiro desafio hoje é trabalhar no digital, conciliando o meio físico e o digital e tentando aproveitar o melhor dos dois mundos”, observa. A presença digital também amplia o alcance geográfico. Se, por um lado, os canais on-line permitem chegar a consumidores que estão fora da área de atuação tradicional, por outro, colocam negócios que antes disputavam mercados locais em contato com concorrentes de diferentes regiões.
Na gestão financeira e administrativa, estão entre os principais obstáculos o acesso ao capital de giro, os juros, a falta de histórico de crédito para novos empreendedores e a complexidade das regras fiscais. Conforme o diretor da ACIRCAN, o capital de giro é necessário para sustentar a operação até que a empresa alcance maior equilíbrio financeiro. A burocracia também pode consumir tempo do empresário, especialmente quando ele acumula diferentes funções. “Muito tempo que ele poderia estar focado em vendas, em estratégia, em visitas, enfim, ele acaba sendo tomado pela parte burocrática”, lembra.
Conhecimento
A importância do conhecimento e do acompanhamento na gestão também aparece em um estudo divulgado pelo Sebrae em setembro de 2026. O levantamento “Avaliação de Impacto da Consultoria Sebrae na Sobrevivência dos Pequenos Negócios” apontou que 77% dos pequenos negócios que receberam consultoria da instituição permaneciam em operação cinco anos após a abertura do CNPJ. Entre os negócios que não receberam esse atendimento, o índice era de aproximadamente 55%. O estudo estimou ainda uma redução de 68% no risco de encerramento das atividades entre as empresas atendidas.
Nesse contexto, o associativismo contribui para aproximar empresários, compartilhar experiências e ampliar o acesso a informações. É nesse espaço que a ACIRCAN atua, promovendo a troca de conhecimento e criando oportunidades para que empresários encontrem apoio diante das diferentes situações da gestão. “É para isso que a ACIRCAN existe. Para que as empresas saibam que têm apoio e que não precisam enfrentar todos os desafios sozinhas. É também um espaço para aprender com empresários que estão há mais tempo no mercado, compartilhar experiências e buscar soluções de forma conjunta”, ressalta Felipe Sbrussi.
A atuação da ACIRCAN busca fortalecer essa rede entre empresários e estimular o associativismo como ferramenta de desenvolvimento empresarial. A entidade aproxima empresas de diferentes segmentos e momentos, favorecendo a troca de experiências e a construção conjunta de soluções. Para quem já está no mercado e para quem está começando, esse ambiente de conexão pode contribuir para uma trajetória empresarial mais preparada para as mudanças e as oportunidades que surgem ao longo do caminho.


